O contador de histórias


Na ultima cidade em que passei, andando pela rua, distraído com meus pensamentos, avistei uma figura curiosa, uma espécie de contador de história... sem saber ao certo pra onde eu estava indo, resolvi parar pra ouvir uma história que estava em andamento, uma história que me lembrou literatura de cordel, que meu avô gostava de ler.
Quando a meia duzia de espectadores se dispersou, ele me olhou fixamente, como se estivesse tentando ler meus pensamentos... resolvi colaborar com seus esforços. Disse àquela pequena figura que, eu, pensando em minhas experiências, tentava descrever o amor.
Tentando ajudar, ele dissertou sobre o assunto baseado nas suas prórpias aventuras:

"Um belo dia a gente acorda e acha que um filme passou por a gente muito rápido, tão rápido que, sem a gente perceber, parece que já se anunciou o episódio dois. As emoções viram luz, e sombras e sons, movimentos, e o mundo todo vira só dois, dois corações bandidos enquanto uma canção de amor persegue o sentimento.
Eu sei porque eu sei muito bem como a cor da manhã fica, sei da felicidade, da dúvida, dor de barriga...
Amor é drama, aventura, mentira, comédia romântica. O amor é um filme em que só Deus é espectador!"

Depois dessa descrição, fiquei em dúvida sobre se um dia eu chegei a experimentar de verdeda o amor...

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Noite Quente em Budapeste


Ainda em Keleti, procurava abrigo para a noite seguinte nos murais da estação, embora fosse cedo e o clima estivesse bem quente, pois era dia 16 de julho. Com poucas opções em seu idioma, foi almoçar num modesto restaurante ali perto. Achando com quem pudesse conversar, embora a compreensão não fosse a ideal, soube de uma mulher que cuidava do estádio de esportes e, vez por outra, abrigava alguns estrangeiros por uns trocados. Foram apresentados, e aparentemente ela era uma corredora profissional, ou maratonista, algo do tipo.


Para levantar uma grana, ela sugeriu que ele tocasse bandolim num grupo local que se apresentaria naquela mesma noite, porque um dos membros da banda havia sido mordido na mão por um cão. Ele topou e foram ensaiar no ginásio. Não podia conter sua admiração ao vê-la correr na pista oval enquanto ensaiavam, a tarde quente o fazia transpirar. Embora não entendendo uma palvra do que era cantado, tocava razoavelmente sem perder o ritmo.


À noite, enquanto tocavam, ela servia drinks e parava corações. Vestida apenas de uma camiseta, shorts e pele, a mera sugestão de seus músculos levava os homens a perder o show. Ouvia-se cochichos pelas paredes quando ela passava, era impossível não notá-la! Aquela noite quente e alegre jamais será esquecida, com certeza!

Mas nada rolou entre os dois, após aquela noite alegre que rendeu o dinheiro da hospedagem, ele partiu no trem da tarde, meio sem rumo, mas com outra dama em mente. Um objetivo grande, um obstáculo ainda maior!

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(na foto: zsuzsanna ripli)

Casual


Baldeação do trem é sempre um tédio. Mas numa noite linda de lua quarto-crescente, parece bem mais convidativo. Ele se recosta no parapeito do terceiro andar de um café, e observa a lua por entre umas poucas nuvens logo acima dos prédios. A iluminação no café parece um tanto remota naquele parapeito, e a luz mais forte é a que vem de cima do prédio. No andar debaixo, cuja varanda se estenda uns dois metros mais próximo à rua, uma moça debruçada sobra o parapeito chama a atenção pelo volume de sua bagagem aos seus pés.

Alguns segundos foram perdidos observando a moça do andar debaixo, que estava bem à vontade olhando pra frente. Ele nem notou quando a lua se escondeu por entre as nuvens. Após o fim do espetáculo lunar, a moça passou a observar as pessoas na praça à frente do café. Dois passinhos para a esquerda e a sombra dele estava oculta sob a dela. Certamente ela notou, mas para não dar pontinhos para o dono da sobra ela se recusou a olhar para trás e continuou vendo as pessoas na praça.

Ah, ele não resistiu! Pôs-se a fazer movimentos engraçados com os braços, de modo que na sombra parecessem os dela. Penteava o cabelo, batia continência, mandava beijos... mas quando ele fez que tocava guitarra ela não se conteve e soltou um riso. Vitória! Ela olha para cima afim de ver quem é o doido, e ele se dá conta de algo "Por que eu comecei com isso? Pirei!"

A reação dela foi de espanto, havia algo de incomum no rapaz do andar de cima, mas a luz que lhe ofuscava não favorecia uma análise. Mas de algo não restou duvida, ele tinha senso de humor. Viu ele fazer um sinal pedindo que o esperasse ali, e passou a pensar se dava uma chance para o rapaz. Podia ser um tolo oportunista qualquer, ou um bom rapaz com senso de humor e criatividade. Como saber? Mas será que valia a pena esperar pra ver? Já está cansada de caras assim em sua vida. Mas como muitas mulheres, a jovem pensou demais e não teve tempo de agir, quando se deu conta o topete do rapaz já figurava desvencilhando-se das pessoas no interior do café com sua bagagem em mãos.

Pisou no pé de duas senhoras, e parou para pedir desculpas, mas atravessou o café arfando, com um objetivo à sua frente. Ao descer os degraus atá o andar debaixo não pensava em outra coisa, senão em como seria o rosto da jovem de cabelos longos envolta na escuridão que havia no parapeito. Ao adentrar o salão e visualizá-la novamente de frente à praça suas mãos suavam ainda mais. Não que já não tivesse abordado moças desconhecidas antes, mas tudo era novidade outra vez.

Decidida a não decidir mais nada, as pessoas na rua não eram capazes de distraí-la do que ela sabia se aproximar aos poucos, sem fazer som notável, a sobra do rapaz desconhecido mais uma vez se juntava à dela, mas desta vez na mesma proporção. Era o momento, ela se virou, mas não foram os olhos do rapaz que lhe cativaram a atenção no primeiro olhar...

Acompanhando aqueles lindos cabelos, veio um olhar muito complexo em sua direção. Na verdade ele não se ateve muito ao olhar, depois de notar um rosto familiar e aquela manchinha no decote, não teve duvidas: era com ela que ele iria pegar o trem da meia-noite!

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Crianças Únicas


Havia um rapaz, que ainda bem jovem, esteve envolvido em um acidente de carro. Seus pais, nos bancos dianteiros do carro não se feriram, tampouco ele próprio saíra machucado. Mas o rapaz que antes tinha seus cabelos abundantes e negros, agora tinha todos os fios de sua cabeça brancos como a neve!

Quando seus colegas de escola perguntavam-lhe por que o cabelo dele agora era branco ele dizia "Eu não sei, acho que foi a batida forte do carro que fez ficar assim".

Na mesma escola estudava uma garotinha magra e bonita. Após as aulas de educação física ela nunca se trocava perante as outras meninas e ninguém sabia o porque. Depois de muita insistência, todas suas amigas ficaram espantadas ao ver seu corpo repleto de marcas de nascença.

Ela não sabia explicar aquilo, quando lhe perguntavam por que havia tantas marcas ela dizia: "Eu não sei, elas sempre estiveram onde estão".

Certa manhã estava o menino com seus pais na igreja. Ele não gostava de lá, e se sentia muito incomodado quando seus pais dançavam e rolavam no chão. A menina da escola também não entendia esse comportamento na igreja e ambos ficavam reclusos.

Ela lhe perguntou por que os pais dele estavam a rolar no chão, ao que ele disse: "Eu não sei nós sempre viemos aqui".

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Origem das Tradições


Já assistiu "Quatro casamentos e um funeral"? Pois é... nos próximos três meses eu tenho quatro casamentos e o funeral da minha conta bancária pra assistir. Mas é a vida!

Pra um desses casamentos, o da minha amiga amissíssima Shilei, eu estou fazendo o convite. Depois de algumas opções ela decidiu por um 'estilo jornal', bem descontraído, com um desenho de linha no meio e umas piadinhas por causa da demora do casamento. Eu, particularmente, achei muito divertido, mas minha mãe ficou chocada dizendo que é informal demais pra uma ocasião tão solene.

Minha mãe é um tanto tradicionalista e quando eu, um dia, assim num papo desimportante sobre vestidos de noiva, disse que não queria me casar de branco, ela reagiu como se eu tivesse dito que queria matar meu pai (isso porque foi só um comentário... nem 'previsão de previsão' pro meu casamento eu tenho).

Depois disso estive pensando... casamento é uma ocasião cercada de tradições e costumes que os noivos são obrigados a obedecer, queiram ou não, e nem questionam, porque não querem ofender a sociedade que nos empurra pras tradições de uma forma que não temos saída. Ou fazemos assim, ou causamos uma revolução que pode atingir proporções catastróficas que vai acabar com seus primeiros dias (talvez meses ou até anos) na nova vida de casado. Não é exagero, gente!...

Como essas frescuras, opa! essas tradições começaram? Algumas informações interessantes que colhi por aí, internet a fora:

A cerimónia de casamento nasceu na Roma antiga, incluindo o ritual da noiva se vestir especialmente para a cerimónia, o que acabou por se tornar uma tradição. Foi igualmente em Roma que aconteceram as primeiras uniões de direito e a liberdade da mulher casar por sua livre vontade.

Alguns dizem que buque da noiva tem origem medieval, quando as mulheres levavam ervas aromáticas para afugentar os maus espíritos. Outros dizem que com certeza surgiu na Grécia, onde usavam até alho na confecção pra afugentar mau-olhado. A igreja católica adotou o costume como uma oferenda da noiva à Virgem Maria, como símbolo do fim da virgindade. (eeeh mistureba!!!)

Você sabia que a cor branca do vestido de noiva só virou costume a partir de 1840? No casamento da rainha Vitória com o seu primo, o príncipe Albert. Antes disso, especialmente na Idade Média, não havia cor específica para a cerimônia; a cor mais usada era o vermelho. O branco acabou sendo o preferido, por simbolizar a castidade e a pureza. Particularmente eu preferia um roxinho, azul-bebe... branco é tão sem-graça!

Hijab (véu), quer dizer, em árabe, "o que separa duas coisas". O véu da noiva significa separar-se da vida de solteira, para entrar em uma nova vida; a de esposa. O uso do véu da noiva era um costume também na antiga Grécia, os gregos acreditavam que a noiva, ao cobrir o rosto, ficava protegida do mau-olhado das mulheres e da cobiça dos homens. (oh povinho medroso, viu!)

Usar grinalda tá meio fora de moda, mas originalmente o objetivo era que a noiva se distinguisse dos convidados, fazendo com que se parecesse com uma rainha. Tradicionalmente, quanto maior a grinalda, maior é o símbolo de status e de riqueza. Hoje, se você colocar um ninho de passarinho na cabeça, vai parecer ridicula e não rica, mas em casamentos no campo ou na praia, talvez caiba uma grinalda não muito exagerada.

Essa eu achei interessante: a razão da noiva ficar sempre do lado esquerdo do seu noivo tem a sua origem na idade média. O noivo, temendo a tentativa de rapto da noiva, deixava sempre o braço direito livre para tirar a sua espada. A espada também servia pro Ricardão, diminuindo a probabilidade de infidelidade.

A aliança representa um circulo, ou seja, uma ligação perfeita entre o casal. O círculo representava para os Egípcios a eternidade, indicando que o amor no casamento deveria durar para sempre. Os Gregos, após a celebração do casamento, utilizavam anéis no dedo anelar da mão esquerda, acreditando que por esse dedo passa uma veia que vai direto ao coração. E pra variar, os paga-pau dos Romanos adotaram o costume que se espalhou pelo mundo, mas que agora só significa: "eu sou casado, não meche comigo."

Essa eu também achei legal: a origem da expressão Lua-de-Mel tem várias versões. A mais conhecida diz que o termo surgiu com antigas tribos germânicas que se casavam e, durante um mês inteiro, na lua nova, tomavam uma mistura bem doce feita com mel para terem sorte. Outra versão afirma que na Roma Antiga, o homem tinha que capturar a amada e levá-la para um lugar secreto, onde o pai da noiva não pudesse encontrá-los. O casal obrigatoriamente tinha que ficar escondido durante quatro luaus, que duravam cerca de um mês. Nesse período eles bebiam uma mistura afrodisíaca, adocicada com muito mel, até que a mulher se rendesse ao seu novo parceiro. Se foram os romanos ou germânicos os inventores do termo, não faz muita diferença, porque a lua-de-mel, tal como a conhecemos hoje, tem origens nos hábitos ingleses do século XIX. O recém-casado passava uma época no campo para se libertar das obrigações sociais.

Mas enfim... o casamento, sendo tradicional ou não, é uma ocasião muito especial para os noivos, e o papel de nós, organizadores ou expectadores, (além de aproveitar a festa, é claro!) é colaborar pra que restem apenas ótimas lembranças, que, no futuro, farão o casal mais unido ao puxá-las do passado.

Breve

Meu primeiro poema, escrito em 27 de fevereiro de 2009, hoje se torna público. Li uma frase interessante no twitter citando o encanto proporcionado pelo ser humano e suas interações e, ao lembrar do que eu considerei sobre o tempo no primeiro post, lembrei desse poema, que expressa a relatividade do tempo. Sem mais, segue o poema.


Breve

Meio segundo.

Pode ser bastante tempo.
Pode ser até tempo demais,
Mais do que o suficiente
Pra descrever um momento, um sentimento.

Mais tempo do que sua mãe precisou
Pra ver você no ultrassom.
E mesmo antes do médico dizer,
Se menino você iria ser
Sua mãe já tinha certeza que seria um lindo bebê.

Muito mais tempo do que o necessário
A qualquer um de nós
Pra sentir falta do silêncio
Quando alguém ergue,
Feroz e desnecessariamente a própria voz.

Em meio segundo você pode
Matar ou morrer
Derrubar ou erguer.

Como saber sempre o melhor a fazer?

Você tem meio segundo pra decidir
Viajar em pensamento,
Conhecer e descobrir.
Ou então ficar aí.

Já sabe o que vai fazer amanhã?
E na semana que vem?
No próximo ano?
No meio segundo que virá após ler esse texto?

Somos todos efêmeros,
Ínfimos
Enfermos
Infelizes
Infiéis
E ainda assim, infinitamente lindos.

Somos tão frágeis e pequenos
Perante coisas que nós mesmos criamos

Doentes por coisas vãs
Que nos deixam descontentes
Nos preocupam muito,
Ao ponto de adiantarem as cãs.

Os que menos aproveitam a chance que temos
Essa que Deus nos dá,
São os que traem a sim mesmos
E usam os mais sujos meios
Pra chegar em algum lugar.

Ainda assim, somos abençoados e belos,
Até mesmo os mais impuros entre os sujos,
Quando somos motivados a usar,
Ainda que por mero meio segundo
A qualidade suprema, que é Amar.

Leandro Rufino de Amaral

O FIM DO SOL >>> O FIM DO MUNDO


É triste ser portadora dessa notícia, mas eu tenho que contar: Gente... as estrelas morrem! [oooooooooooooooooh!]

Eu sei que não parece. Os admiradores das noites estreladas talvez digam que é mentira, "as estrelas sempre foram as mesmas, e estão no mesmo lugar desde que nasci", e é verdade! O céu, visto daqui da Terra, a olhos nus - e leigos - é o mesmo há séculos. Porém, estrelas nascem e morrem o tempo todo na galáxia.

Agora a parte mais ingrata da minha missão! Contar a vcs que: o sol é uma estrela, portanto ELE VAI MORRER!

Mas por favor, não se deprimam achando que 2012 chegará amanhã [provavelmente não chegará nem em 2012], nós teremos tempo de viver toda nossa vida por aqui ainda, só talvez tenhamos problemas de moradia terrestre quando pudermos viver eternamente.

Quando e como isso acontecerá é uma questão que os astrônomos tentam resolver e para chegar a uma resposta, eles criaram uma teoria, com a qual podemos entender a formação de uma estrela, o que ocorre com ela ao longo do tempo, as mudanças de brilho e tamanho, e várias outras coisas.

Como, então, se pode ter certeza de que a teoria está certa, já que, não podemos perceber as mudanças nas estrelas? O fato é que podemos observar muitas estrelas, com várias idades diferentes. É como se um extraterrestre visitasse a Terra por um dia apenas: ele não poderia ver as pessoas crescendo, já que em um dia não crescemos muito, mas poderia observar que existem bebês, crianças, adolescentes, adultos e velhos. Com um pouco de imaginação, ele poderia entender como é a vida dos seres humanos.

No começo, o Sol era uma gigantesca nuvem de gás e poeira, muitas vezes maior que o sistema solar hoje. Essa nuvem foi se contraindo e se tornando mais densa, até se transformar em uma verdadeira estrela. Isso demorou cerca de 50 milhões de anos.

A partir de então, o Sol entrou em uma fase bem tranquila, na qual ainda se encontra. Seu tamanho e sua temperatura quase não mudam. Pouco varia também a quantidade de energia que ele emite para o espaço em cada segundo, o que chamamos "luminosidade".

Essa fase de "tranquilidade" deve durar, no total, cerca de 11 bilhões de anos. Como ela se iniciou há cerca de 4,5 bilhões de anos, o Sol ainda tem pela frente aproximadamente 6,5 bilhões de anos de tranquilidade [ele é só um adolescente ainda].

Mas, para nós da Terra, essa fase não será tão calma assim, porque a luminosidade do Sol sempre aumenta, ainda que de forma lenta, e deverá dobrar ao final dos 11 bilhões de anos.

O que mantém o Sol nessa fase tranquila é a queima de hidrogênio em seu núcleo. Após 11 bilhões de anos, esse hidrogênio vai acabar. Com a interrupção da produção de energia, o núcleo não conseguirá suportar o peso das camadas mais externas e sofrerá um colapso, e o sol se transformará numa gigante bola fria e vermelha. Depois disso ele vai aos poucos perdendo massa. Nessa fase ele se tonará o que conhecemos por nebulosa. Até que a massa se expande por completo, e o que sobra é a chamada anã-branca, que vai perder energia até virar uma anã-negra, cinza espacial!

Esse será o derradeiro fim do nosso "astro-rei". Afinal, todo rei um dia perde a majestade...

Como dar um fora?

Um amigo meu, que vamos chamar de Bob, precisava dar um fora numa namorada. Acontece que ele ainda gostava dela (paradoxo), e precisava fazer isso de uma maneira especial.

Eles costumavam sair juntos para jantar, num restaurante com música ambiente, blues, jazz, bolero... Ele a convidou para um jantar lá nesse fatídico dia. Após a refeição quase em silêncio, ao iniciar uma música romântica, marcada por batidas leves de bateria e o som em alto volume do baixo, ela e pegou pela mão. Eles não costumavam ir à pista de dança quando iam lá, pois não sabiam dançar...

Ele a trouxe próximo ao corpo, ela com a cabeça em seu ombro, e ele disse a ela o seguinte, de uma maneira difícil de textualizar... Tente ler as palavras de maneira lenta, como que ouvindo a música, com longas pausas... Ele disse, como que em versos, mais ou menos assim:

"Este deve ser o dia mais triste de minha vida.
Eu lhe convidei para vir aqui hoje porque tenho más notícias.

Eu não poderei mais ver você...
...Por conta de minhas obrigações e
Por coisas que te prendem.

Nós temos nos encontrado aqui quase que diariamente,
e visto ser essa nossa última noite juntos,
eu quero lhe abraçar...
só mais uma vez.

Quando você se virar e for embora,
não olhe para trás.

Eu quero me lembrar de você, desse jeito, assim...

(num gesto sutil ele apóia a cabeça dela com ambas as mãos, a olha nos olhos cheios de lágrimas, e após alguns instantes ele diz)

Vamos apenas nos beijar e dizer adeus"

Não, não é mera coincidência...

Leia também Como dar um fora 2

Veja qual é a música oculta: http://migre.me/HaIw

Comunicação vs Tecnologia

Acho que todo mundo já recebeu pelo menos uma vez um e-mail que diz: "vc sabe que vive no século XXI quando..." - eu já recebi um quintilhão de vezes - mas é inegável a realidade por trás daquelas linhas. Quem nunca usou o celular do portão de casa pra falar com alguém lá dentro, ou usou o telefone pra falar com a vizinha, ou com o cara do outro lado do escritório?
Falo agora por minha própria experiência... converso com meus amigos mais próximos, por telefone, Twitter e MSN muito mais do que pessoalmente, a proporção chega a ser absurda! Estão aí meus amigos Finão e Coca que não me deixam mentir.

A nossa geração digital está desenvolvendo uma forma de comunicação própria, e nos entendemos muito bem, obrigada!, mas nossos pais e tios da geração passada com certeza diriam que eram mais felizes e que tinham formas de comunicação mais saudáveis! (os daqui de casa não cansam de dizer isso). Apesar de sermos capazes de refutar esse tipo de argumento facilmente eles não deixam de ter uma certa razão.
O entendimento é seriamente comprometido em formas de comunicação indireta. 80% das informações em e-mails dão margem para interpretação incorreta, e qualquer pessoa que tenha uma conta de e-mail sabe que o disse-me-disse na internet tem dado origem a aterradoras teorias de conspiração, que em parte são causadas por babacas que não tem nada o que fazer, mas também vem de pessoas ingênuas que acreditam em tudo que leem e repassam da forma que entendem.

Lá vai uma pequena histórinha que ilustra o que pode causar a falta de comunicação pessoal:

PRIMEIRA SITUAÇÃO
o casal está sentado na sala
- Amor, dá pra você sair meia hora mais cedo amanhã e pegar a Nina na escola pra mim?
- Poxa, querida... queria adiantar o trabalho pra aquela apresentação do cliente de terça, ia ficar até mais tarde no escritório.
- É que tenho que ir numa reunião beneficente no Clube de mães (aqui acrescenta-se uma carinha de gatinho do Shrek), é importante, elas estão contando comigo.
- Ok, trago a apresentação pra montar em casa

SEGUNDA SITUAÇÃO
o casal ao telefone
- Amor, dá pra você sair meia hora mais cedo e pegar a Nina na escola pra mim?
- Você sabe que eu queria adiantar o trabalho pra aquela apresentação do cliente de terça, ia ficar até mais tarde no escritório.
- É que tenho que ir numa reunião beneficente no Clube de mães, é importante, elas estão contando comigo.
- Ok, levo a apresentação pra montar em casa, mas vê se não demora lá einh!

TERCEIRA SITUAÇÃO
ele recebe um torpedo
- Amor, dá pra vc sair + cedo e pegar a Nina na escola pra mim?
ele responde
- Vc sabe que eu n posso!
- Tenho uma reunião importante, tão contando cmgo!
- Meu tblho n é important? Eu vo, ms esteja em casa as 20h!

QUARTA SITUAÇÃO
a secretária entra na sala
- Sua mulher mandou avisar que é pra o senhor pegar a Nina na escola que ela tem uma reunião no clube.
- O que? ela enlouqueceu? Preciso preparar uma apresentação, ela sabe disso (ele colou um post-it na geladeira ontem) e vai me atrapalhar por causa de uma reuniãozinha social naquele clube inútil?
o divórcio saiu três meses depois


KARAOKÊ

Na vida real os karaokês, videokês e sei-lá-okês só têm música brega. Mas, isso é uma crônica, e crônicas não necessariamente devem reproduzir a vida literalmente. No meu mundo ideal, os karaokês, videokês e sei-lá-okês têm músicas novas, que quase ninguém conhece, uma lista quase infinita de músicas e atualizações praticamente diárias. Sim, eu viajei.

Mas a história é sobre dois amigos. Amigos de berço, tão unidos que há quem pense que são irmãos e outros, bom, outros dizem que não passam dum casal mal-avisado que não enxerga a vida real e não vêem que são mais que amigos. Cresceram juntos, estudaram juntos, viajavam juntos. E, um dia, sabe-se lá porque cargas d'água resolveram cantar jutos.

Não que eles nunca tivessem cantado juntos, faziam isso sempre. Mas, geralmete, era quando estavam sonolentos na praia, com aquela brisa fresca que faz com que relaxemos até a alma, sozinhos e na frente de casa, esperando alguém chegar com a chave (os dois avoados sempre esqueciam a chave). Mas dessa vez, cantaram juntos no karaokê, na frente de desconhecidos.

Enfim, cantaram. Afinados, um dueto lindo. Não perguntem a música, faz muito tempo, nem me lembro. Mas cantaram belamente, ela com sua voz aguda - meu Deus, chega a incomodar - e ele, com a voz doce, mas grave. Cantaram como se não tivesse ninguém no recinto, dançando da maneira que lhes vinha em mente. Estavam felizes, dois tímidos que agora podiam cantar no karaokê.

Daí então resolveram fazer isso mais vezes. Perderam por todo a timidez, começaram a sair com outras pessoas, começaram a formar grupos distintos: ela andava com patricinhas em geral e ele com os metaleiros - tão colegial isso, meu Deus, mas eles não enxergaram. Seis meses depois do episódio do karaokê mal se viam e se falavam. Nem se conheciam mais.

E passou-se um ano. Um ano inteiro nessa situação, mas sempre se citavam em conversas, sentiam falta um do outro, mas não conseguiam se reaproximar. Mania do ser humano de criar barreiras para não se aproximar do que sente falta, por puro medo. Enfim, um ano. Mas, num belo domingo à noite, se encontraram. Num bar-karaokê (porque domingo é noite de 'programa-família'). E tocou a dita música, a que fez com que mudassem. Aí, vocês vão advinhar o final: cantaram juntos, voltaram com a amizade, casaram-se e viveram felizes para sempre! - acertamos?

Hmm, não. Erraram: não cantaram, apenas cantarolaram em seus lugares enquanto ouviam um casal desafinado assassinar a pobre música. Trocaram meia dúzia de olhares, um ou dois sorrisos, e assim ficou.

Mas aí... bom, aí que eles tinham amigos em comum que juntaram as mesas e os dois começaram a conversar. E colocaram assuntos em dia, lembraram-se dos bons tempos e esqueceram porque não eram mais companhia um pro outro. Agiam novamente como melhores amigos. Incrivelmente, daquela noite em diante, voltaram a andar juntos, como irmãos novamente. 

Pra resumir a história, algum tempo depois ela casou aos 24 com um amigo dele e ele aos 25, com uma moça que conhecera numa de suas viagens à praia. Ela tem uma menina e ele, um menino. São vizinhos, cantam em duetos ainda e toda sexta-feira se juntam pra comer pizza. Diz a lenda que nunca mais cantaram a infeliz música que os separou, mas o karaokê continua sendo o lugar preferido dos dois, seja pra cantar, seja pra assistir. Porque aquela noite mudou suas vidas e seus futuros, mas ainda assim, eles se agradavam de lembrar e imaginar o que teria acontecido se não tivessem perdido a timidez.