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Noite só


Por mais que eu quisesse que tudo fosse diferente não posso negar o fato: em noites frias e solitárias eu me apercebo de que não consegui tirar você da minha cabeça. Parecia uma questão de tempo, mas não é tão simples.

Em um lindo oceano, corais vermelhos e azuis, num pequeno barco só você e eu. Sinto seu cheiro, e seu toque, mas tudo acaba quando acordo.

Tentei de todo jeito deixar o isso para trás, afinal, já me acostumei com a idéia de não ter você por perto... mas não dá! Cada pedaço de mim contém uma memória de você.

Quando ouço teu respirar meu mundo dá voltas, mas tua sombra não repousa junto à minha, eu acordo, era só a brisa do mar. Trabalho, e estou em paz durante o dia... mas quando chega o momento de repouso, então eu sinto seu toque, sua respiração junto à minha. E outra vez meu mundo fica de ponta-cabeça.

Tenho seus dedos como que tocando minha pele, sua imagem gravada no no meu peito, cauterizada. Os meus lábios ainda queimam sentindo saudade dos seus. És algo contra o qual eu não posso lutar.

Mas resides apenas em meus sonhos, não é nada que eu possa evitar.

Veja as músicas ocultas aqui e aqui.

Obs.: Com excessão dessa linha e da formatação, todo esse post foi redigido no software "Dasher" em apoio ao projeto.

O contador de histórias


Na ultima cidade em que passei, andando pela rua, distraído com meus pensamentos, avistei uma figura curiosa, uma espécie de contador de história... sem saber ao certo pra onde eu estava indo, resolvi parar pra ouvir uma história que estava em andamento, uma história que me lembrou literatura de cordel, que meu avô gostava de ler.
Quando a meia duzia de espectadores se dispersou, ele me olhou fixamente, como se estivesse tentando ler meus pensamentos... resolvi colaborar com seus esforços. Disse àquela pequena figura que, eu, pensando em minhas experiências, tentava descrever o amor.
Tentando ajudar, ele dissertou sobre o assunto baseado nas suas prórpias aventuras:

"Um belo dia a gente acorda e acha que um filme passou por a gente muito rápido, tão rápido que, sem a gente perceber, parece que já se anunciou o episódio dois. As emoções viram luz, e sombras e sons, movimentos, e o mundo todo vira só dois, dois corações bandidos enquanto uma canção de amor persegue o sentimento.
Eu sei porque eu sei muito bem como a cor da manhã fica, sei da felicidade, da dúvida, dor de barriga...
Amor é drama, aventura, mentira, comédia romântica. O amor é um filme em que só Deus é espectador!"

Depois dessa descrição, fiquei em dúvida sobre se um dia eu chegei a experimentar de verdeda o amor...

Veja a música oculta aqui

Crianças Únicas


Havia um rapaz, que ainda bem jovem, esteve envolvido em um acidente de carro. Seus pais, nos bancos dianteiros do carro não se feriram, tampouco ele próprio saíra machucado. Mas o rapaz que antes tinha seus cabelos abundantes e negros, agora tinha todos os fios de sua cabeça brancos como a neve!

Quando seus colegas de escola perguntavam-lhe por que o cabelo dele agora era branco ele dizia "Eu não sei, acho que foi a batida forte do carro que fez ficar assim".

Na mesma escola estudava uma garotinha magra e bonita. Após as aulas de educação física ela nunca se trocava perante as outras meninas e ninguém sabia o porque. Depois de muita insistência, todas suas amigas ficaram espantadas ao ver seu corpo repleto de marcas de nascença.

Ela não sabia explicar aquilo, quando lhe perguntavam por que havia tantas marcas ela dizia: "Eu não sei, elas sempre estiveram onde estão".

Certa manhã estava o menino com seus pais na igreja. Ele não gostava de lá, e se sentia muito incomodado quando seus pais dançavam e rolavam no chão. A menina da escola também não entendia esse comportamento na igreja e ambos ficavam reclusos.

Ela lhe perguntou por que os pais dele estavam a rolar no chão, ao que ele disse: "Eu não sei nós sempre viemos aqui".

Veja a música oculta aqui

Breve

Meu primeiro poema, escrito em 27 de fevereiro de 2009, hoje se torna público. Li uma frase interessante no twitter citando o encanto proporcionado pelo ser humano e suas interações e, ao lembrar do que eu considerei sobre o tempo no primeiro post, lembrei desse poema, que expressa a relatividade do tempo. Sem mais, segue o poema.


Breve

Meio segundo.

Pode ser bastante tempo.
Pode ser até tempo demais,
Mais do que o suficiente
Pra descrever um momento, um sentimento.

Mais tempo do que sua mãe precisou
Pra ver você no ultrassom.
E mesmo antes do médico dizer,
Se menino você iria ser
Sua mãe já tinha certeza que seria um lindo bebê.

Muito mais tempo do que o necessário
A qualquer um de nós
Pra sentir falta do silêncio
Quando alguém ergue,
Feroz e desnecessariamente a própria voz.

Em meio segundo você pode
Matar ou morrer
Derrubar ou erguer.

Como saber sempre o melhor a fazer?

Você tem meio segundo pra decidir
Viajar em pensamento,
Conhecer e descobrir.
Ou então ficar aí.

Já sabe o que vai fazer amanhã?
E na semana que vem?
No próximo ano?
No meio segundo que virá após ler esse texto?

Somos todos efêmeros,
Ínfimos
Enfermos
Infelizes
Infiéis
E ainda assim, infinitamente lindos.

Somos tão frágeis e pequenos
Perante coisas que nós mesmos criamos

Doentes por coisas vãs
Que nos deixam descontentes
Nos preocupam muito,
Ao ponto de adiantarem as cãs.

Os que menos aproveitam a chance que temos
Essa que Deus nos dá,
São os que traem a sim mesmos
E usam os mais sujos meios
Pra chegar em algum lugar.

Ainda assim, somos abençoados e belos,
Até mesmo os mais impuros entre os sujos,
Quando somos motivados a usar,
Ainda que por mero meio segundo
A qualidade suprema, que é Amar.

Leandro Rufino de Amaral